segunda-feira, 3 de outubro de 2011

São Francisco de Assis




Francisco trouxe o pobre para a sociedade e recuperou Cristo no pobre. E fê-lo sem revolta, com uma sinceridade que subverte a revolta; que a torna menos soberana do que a realidade sofrida. Não disse: “Pobres, uni-vos.” Mas disse a todos: “Tornai-vos pobres”. Amai o dever de ser pobre, e não a confrontação e a luta.


E também ele sabia lutar. Era um guerreiro. Francisco era um guerreiro, de génio lúcido que é o que ganha as grandes batalhas. A sua vida não foi uma renúncia, foi uma glória, uma avançada permanente, um esforço genial para entrar no tempo, na imponderabilidade do pobre. O pobre não tem atmosfera, flutua, quebra pernas e braços contra pequenos obstáculos nos quais ninguém mais choca. Mas, sabendo qual a sua condição, sente a leveza do seu mísero corpo, e nenhum fardo o pode oprimir.


A regra franciscana era tão poética que dela só podia subsistir o perfume. Era alegre, pois proibia acompanhar o jejum com a expressão mortificada; era sábia, pois se desviava das letras; era grande, porque prevenia contra o vício da vontade própria. Não foi feita para servir os homens, e por isso levantou tumulto e fez nascer as dissidências. É mais fácil á natureza humana acometer as coisas que exigem heroísmo, do que confiar naquelas que a mantêm na virtude sem penas e na modéstia sem exemplo.


Agustina Bessa-Luís

in Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores

Pinturas: Giotto
Basílica de S. Francisco, Assis
1297-1300

Jesus continua sendo sempre um mistério cativante



Uma das frases mais enigmáticas e, ao mesmo tempo, mais iluminantes do Evangelho é aquela proferida por João Batista, ao ver passar Jesus. Dirigindo-se aos seus discípulos, o Batista afirma: «No meio de vós está O que não conheceis» (Jo 1,26). Penso que esta frase pode ser repetida assim: no meio de nós próprios; no centro misterioso da nossa relação com Deus, com o mundo e os outros; no âmago da gestão, mais fluida ou atribulada, que fazemos da existência, está O que não conhecemos. Porventura, naquele núcleo de verdade mais funda, mais solitária e pessoal, existe uma presença, um tesouro, uma fonte que continua por descobrir, um trabalho de relação, espiritual e de vida, por encetar...



in MENDONÇA, José Tolentino, Pai nosso que estás na terra, Paulinas, Lisboa, 20112ed, p. 4.

Pegadas na areia

Ainda bem que tem alguém que me leva ao colo...

Porquê???????????



Quem acredita nunca está sozinho.... Cristo é o seu companheiro de viagem, aquele que está a nossa espera, aquele que dá a vida por ti....

Deus tem um projeto para os seus amigos




O proprietário da vinha representa Deus mesmo, enquanto a vinha simboliza o seu povo, bem como a vida que Ele nos doa para que, com a sua graça e o nosso compromisso, façamos o bem. Santo Agostinho comenta que "Deus nos cultiva como um campo para tornar-nos melhores" (Sermo 87, 1, 2: PL 38, 531).

Deus tem um projeto para os seus amigos, mas, infelizmente, a resposta do homem é frequentemente orientada à infidelidade, que se traduz em desprezo. O orgulho e o egoísmo impedem de reconhecer e acolher até mesmo o dom mais precioso de Deus: o seu Filho unigênito. Quando, de fato, "enviou seu próprio filho – escreve o evangelista Mateus – … [os vinhateiros] o prenderam, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram" (Mt 21,37.39). Deus entrega a si mesmo em nossas mãos, aceita fazer-se mistério insondável de fragilidade e manifesta a sua onipotência na fidelidade a um projeto de amor que, ao final, prevê, contudo, também a justa punição dos malvados (cf. Mt 21,41).

Firmemente ancorados na fé na pedra angular que é Cristo, permaneçamos n'Ele como o fruto que não pode dar fruto por si mesmo se não permanece na videira. Somente n'Ele, por Ele e com Ele edifica-se a Igreja, povo da Nova Aliança. Escreveu a propósito o Servo de Deus Paulo VI: "O primeiro fruto da tomada de consciência mais profunda da Igreja quanto a si mesma é a descoberta renovada da sua relação vital com Cristo, coisa bem conhecida, mas fundamental, indispensável, e nunca suficientemente compreendida, meditada e pregada" (Enc. Ecclesiam suam, 6 agosto 1964: AAS 56 [1964], 622).



Angelus de Bento XVI - 02/10/2011