segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Oração pelos defuntos


Deus de infinita misericórdia,
confiamos à tua imensa bondade
aqueles que deixaram este mundo para a eternidade,
onde Tu aguardas toda a humanidade
redimida pelo sangue precioso de Cristo Teu Filho,
morto para nos libertar dos nossos pecados.

Não olhes, Senhor, para as tantas
pobrezas e misérias e fraquezas humanas
quando nos apresentarmos diante do Teu tribunal,
para sermos julgados, para a felicidade ou a condenação.

Dirige para nós o teu olhar misericordioso
 que nasce da ternura do teu coração,
e ajuda-nos a caminhar em direcção a uma completa purificação.

 Não se perca nenhum dos teus filhos
no fogo eterno do inferno
onde já não poderá haver arrependimento.

 Te confiamos, Senhor,
as almas dos nossos entes queridos,
das pessoas que morreram sem o conforto sacramental,
ou não tiveram ocasião de se arrepender nem mesmo no fim da sua vida.

Que ninguém tenha receio de te encontrar
 depois da peregrinação terrena,
na esperança de sermos recebidos nos braços
da tua infinita misericórdia.

Que a irmã morte corporal
nos encontre vigilantes
na oração e carregados de todo o bem
realizado ao longo da nossa breve ou longa existência.

 Senhor, nada nos afaste de Ti nesta terra,
mas tudo e todos nos apoiem no ardente desejo
de repousar serena e eternamente em Ti.
 Amen.

Papa Francisco (02/11/2014)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Frases de Cua D’Ars falando do Sacerdócio



“Se tivéssemos fé, veríamos Deus oculto no sacerdote, como a luz por trás da vidraça, como vinho misturado na água.”

“Devemos considerar o padre quando está no altar e no púlpito como se fosse o próprio Deus”

 “Oh! como o sacerdote é algo sublime! Se ele se apercebesse morreria… Deus lhe obedece: diz duas palavras e Nosso Senhor desce do céu.”

“Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem o colocou no tabernáculo? O padre. Quem foi que recebeu nossa alma à entrada da vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar força de fazer sua peregrinação? O padre. “Quem a preparará para comparecer perante Deus, lavando a alma pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se alma vier a morrer, quem a ressuscitará, quem lhe dará a calma e a paz? Ainda o padre.”

 “O Sacerdote não é para si, mas para vós… “Quem recebeu vossa alma à sua entrada na vida? É o sacerdote. – Quem a sustenta para dar-lhe a força de fazer sua peregrinação? O sacerdote. – Quem há de prepará-la para se apresentar diante de Deus, purificando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. – “E se a alma morrer quem há de ressuscitá-la? Ainda o sacerdote. – Não há benefício alguma de que vos lembreis sem ver logo ao lado desta recordação a figura do sacerdote. – O sacerdote tem as chaves dos tesouros celestiais; é o procurador de Deus, é o ministrador de seus bens.”

“Só no céu compreenderemos a felicidade de poder celebrar a Missa.”

 “O padre não é para si. Não dá a si a absolvição. Não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.”

“Se um padre vier a morrer em conseqüência dos trabalhos e sofrimentos suportados pela glória de Deus e a salvação das almas não seria nada mal.” “O Sacerdote só será bem compreendido no céu… Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor.” “Se não fosse o padre, a morte e a Paixão de Nosso Senhor de nada serviriam.”

“O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois de Deus, o padre é tudo!”

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dia Mundial das Missões 2014

Mensagem do Papa Francisco




Ainda hoje há tanta gente que não conhece Jesus Cristo. Por isso, continua a revestir-se de grande urgência a missão ad gentes, na qual são chamados a participar todos os membros da Igreja, pois esta é, por sua natureza, missionária: a Igreja nasceu «em saída». O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado para os fiéis dos vários Continentes se empenharem, com a oração e gestos concretos de solidariedade, no apoio às Igrejas jovens dos territórios de missão.

Evangelho de Lucas (cf. 10, 21-23).

Naquele tempo, Jesus designou setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’

Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome!» Disse-lhes Ele: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões e domínio sobre todo o poderio do inimigo; nada vos poderá causar dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu.

Depois, Jesus ficou cheio de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.




Comentário do Papa: 1) Jesus falou aos discípulos; 2) depois dirigiu-Se ao Pai, para voltar de novo a falar com eles; 3) Jesus torna os discípulos participantes da sua alegria.

1. Enviou os dois a dois, os setenta e dois discípulos a anunciar, nas cidades e aldeias, que o Reino de Deus estava próximo, preparando assim as pessoas para o encontro com Jesus. Cumprida esta missão de anúncio, os discípulos regressaram cheios de alegria: a alegria é um traço dominante desta primeira e inesquecível experiência missionária. O Mestre divino disse-lhes: «Não vos alegreis, porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu. Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te, ó Pai (…)”. Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que vêem o que estais a ver”» (Lc 10, 20-21.23).

2. Escolha: Os discípulos estavam cheios de alegria, entusiasmados com o poder de libertar as pessoas dos demónios. Jesus, porém, recomendou-lhes que não se alegrassem tanto pelo poder recebido, como sobretudo pelo amor alcançado, ou seja, «por estarem os vossos nomes escritos no Céu» (Lc 10, 20). Com efeito, fora-lhes concedida a experiência do amor de Deus e também a possibilidade de o partilhar. E esta experiência dos discípulos é motivo de jubilosa gratidão para o coração de Jesus.

3. Oração de Jesus: «Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado» (Lc 10, 21). Fazer a vontade do Pai «o teu agrado», isto é, significa o plano salvífico e benevolente do Pai para com os homens. No contexto desta bondade divina, Jesus exultou, porque o Pai decidiu amar os homens com o mesmo amor que tem pelo Filho. Jesus, ao ver o bom êxito da missão dos seus discípulos e, consequentemente, a sua alegria, exultou no Espírito Santo e dirigiu-Se a seu Pai em oração. «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria».


4. «O grande risco do mundo actual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada». Por isso, a humanidade tem grande necessidade de acolher a salvação trazida por Cristo. Os discípulos são aqueles que se deixam conquistar mais e mais pelo amor de Jesus e marcar pelo fogo da paixão pelo Reino de Deus, para serem portadores da alegria do Evangelho. Todos os discípulos do Senhor são chamados a alimentar a alegria da evangelização. Os bispos, como primeiros responsáveis do anúncio, têm o dever de incentivar a unidade da Igreja local à volta do compromisso missionário, tendo em conta que a alegria de comunicar Jesus Cristo se exprime tanto na preocupação de O anunciar nos lugares mais remotos como na saída constante para as periferias de seu próprio território, onde há mais gente pobre à espera. Em muitas regiões, escasseiam as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Com frequência, isso fica-se a dever à falta de um fervor apostólico contagioso nas comunidades, o que faz com as mesmas sejam pobres de entusiasmo e não suscitem fascínio. A alegria do Evangelho brota do encontro com Cristo e da partilha com os pobres. Por isso, encorajo paróquias e os diversos movimentos, a viverem uma intensa vida fraterna, fundada no amor a Jesus e atenta às necessidades dos mais carecidos. Onde há alegria, fervor, ânsia de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas, nomeadamente as vocações laicais à missão. 

13 de Outubro de 1917

Devido ao facto de os pastorinhos terem revelado que a Virgem Maria iria fazer um milagre neste dia para que todos acreditassem, estavam presentes na Cova da Iria cerca de 50 mil pessoas, segundo os relatos da época. Chovia com abundância e a multidão aguardava as três crianças nos terrenos enlameados da serra. Lúcia assim descreve estes acontecimentos na Memória IV: "Saímos de casa bastante cedo, contando com as demoras do caminho. O povo era em massa. A chuva, torrencial. Minha mãe, temendo que fosse aquele o último dia da minha vida, com o coração retalhado pela incerteza do que iria acontecer, quis acompanhar-me. Pelo caminho, as cenas do mês passado, mais numerosas e comovedoras. Nem a lamaceira dos caminhos impedia essa gente de se ajoelhar na atitude mais humilde e suplicante. Chegados à Cova de Iria, junto da carrasqueira, levada por um movimento interior, pedi ao povo que fechasse os guarda-chuvas para rezarmos o terço. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.
Lúcia: - Que é que Vossemecê me quer? Nossa Senhora: – Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas. - Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc. - Uns, sim; outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados. E tomando um aspecto mais triste: – Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido. E abrindo as mãos, fê-las reflectir no Sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projectar-se no Sol."



Neste momento, Lúcia diz para a multidão olhar para o sol, levada por um movimento interior que a isso a impeliu. "Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, S. José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul." Era a Sagrada Família.

"S. José com o Menino pareciam abençoar o Mundo com uns gestos que faziam com a mão em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor acabrunhado de dôr a caminho do Calvário e Nossa Senhora que me dava a ideia de ser Nossa Senhora das Dores." Lúcia via apenas a parte superior do corpo de Nosso Senhor e Nossa Senhora não tinha a espada no peito "Nosso Senhor parecia abençoar o Mundo da mesma forma que S. José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ver ainda Nossa Senhora, em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo, com o Menino Jesus ao colo."

Enquanto os três pastorinhos eram agraciados com estas visões (apenas Lúcia viu os três quadros, Jacinta e Francisco viram somente o primeiro), a maior parte da multidão presente observou o chamado O Milagre do Sol. A chuva que caía cessou, as nuvens entreabriram-se deixando ver o Sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podia fitar-se sem dificuldade sem cegar. A imensa bola começou a girar vertiginosamente sobre si mesma como uma roda de fogo. Depois, os seus bordos tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas vermelhas de fogo. Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nas próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidades brilhantes e diferentes cores. Animado três vezes por um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em ziguezague sobre a multidão aterrorizada. Tudo durou uns dez minutos. Finalmente, o Sol voltou em ziguezague para o seu lugar e ficou novamente tranquilo e brilhante. Muitas pessoas notaram que as suas roupas, ensopadas pela chuva, tinham secado súbitamente. Tal fenómeno foi testemunhado por milhares de pessoas, até mesmo por outras que estavam a quilómetros do lugar das aparições. O relato foi publicado na imprensa por diversos jornalistas que ali se deslocaram e que foram também eles, testemunhas do milagre. 

Oração a Maria

«Feliz aquela que acreditou» (Lc 1,45)

Virgem e Mãe Maria,
Vós que, movida pelo Espírito,
acolhestes o Verbo da vida
na profundidade da vossa fé humilde,
totalmente entregue ao Eterno,
ajudai-nos a dizer o nosso «sim»
perante a urgência, mais imperiosa do que nunca,
de fazer ressoar a Boa-Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo,
levastes a alegria a João o Baptista,
fazendo-o exultar no seio de sua mãe (Lc 1,41).
Vós, estremecendo de alegria,
cantastes as maravilhas do Senhor (Lc, 1,46s).
Vós, que permanecestes firme diante da Cruz
com uma fé inabalável (Jo 19,25)
e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição,
reunistes os discípulos à espera do Espírito
para que nascesse a Igreja evangelizadora (Act 1,14).

Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados
para levar a todos o Evangelho da vida
que vence a morte.
Dai-nos a santa audácia de buscar novos caminhos
para que chegue a todos
o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação (Lc 2,19),
Mãe do amor (Ecli 24,24 Vulg), esposa das núpcias eternas (Ap 19,7),
intercedei pela Igreja, da qual sois o ícone puríssimo,
para que ela nunca se feche nem se detenha
na sua paixão por instaurar o Reino.

Estrela da nova evangelização,
ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão,
do serviço, da fé ardente e generosa,
da justiça e do amor aos pobres,
para que a alegria do Evangelho
chegue até aos confins da terra
e nenhuma periferia fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivo,
manancial de alegria para os pequeninos,
rogai por nós.
Ámen. Aleluia!

Papa Francisco

Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho» § 288

domingo, 12 de outubro de 2014

Papa Francisco volta a pôr o Diabo na linha de fogo

O Diabo foi banido, nas últimas décadas, das pregações da Igreja, mas só nas primeiras 48 horas de pontificado, o Papa Francisco desafiou o inimigo n.o 1 dos católicos por duas vezes. A 14 de Março, na Capela Sistina, citou o escritor francês Léon Bloy: “Quem não reza ao senhor, reza ao Diabo.” E logo a seguir, acrescentou: “Quando não se confessa Jesus Cristo, confessa-se o mundanismo do Diabo.” No dia seguinte, voltou à carga e deixou um aviso sério aos cardeais: “Não cedamos nunca ao pessimismo e à amargura que o Diabo nos oferece.”

A batalha não ficou por aí. Poucos dias depois, Francisco relembrou o Demónio, num discurso dirigido aos jovens. “E nestes momentos vem o inimigo, vem o Diabo, muitas vezes disfarçado de anjo e insidiosamente nos diz a sua palavra. Não o escuteis.” Mesmo antes de chegar à cátedra de São Pedro, e quando era cardeal, Bergoglio já falava publicamente do Demónio. Ainda em Buenos Aires, chegou a atribuir a aprovação do casamento gay às manobras do inimigo. Em 2010, o agora Papa escreveu uma carta às carmelitas argentinas, pedindo-lhes que rezassem: “Não sejamos ingénuos. Esta não é uma mera luta política. Trata-se de uma proposta destrutiva do plano de Deus. Não é uma mera proposta legislativa (essa é apenas a forma), mas uma medida do pai da mentira para confundir e iludir os filhos de Deus.”

As primeiras abordagens de Francisco aos assuntos demoníacos passaram despercebidas, mas o exorcismo que terá feito no último domingo, na Praça de São Pedro, acordou a opinião pública. Será o novo Papa obcecado, nas suas pregações, pelo tema do demónio? E como poderá, nesse caso, liderar uma Igreja rendida às evidências da Ciência e que, nas últimas décadas, foge do tema como o Diabo da cruz? “A pregação sobre o Demónio ou sobre o inferno quase desapareceu das homilias e ganharam força questões politicamente correctas, como a doutrina social da Igreja”, confirma um sacerdote. Mas nem por isso os padres católicos passaram a negar a existência do Demónio e todos os papas têm repetido – uns mais discretamente do que outros – a doutrina tradicional da Igreja, que preconiza que o Diabo existe e que Jesus é o salvador precisamente porque libertou do mal.

Paulo VI e os avisos O Papa que mais se referiu ao Demónio foi João Paulo II. Mas a expressão mais célebre na história da relação entre o Vaticano e o Diabo pertence a Paulo VI que, em Junho 1972, chocou a imprensa internacional. “Tenho a sensação de que o fumo de Satanás entrou no templo de Deus através de alguma fenda”, disse, referindo-se à crise da Igreja, saída do Concílio Vaticano II e à perda de influência no mundo moderno. A tirada rendeu-lhe dissabores na opinião pública e, sobretudo, junto da ala progressista da Igreja – que o acusaram de voltar à Idade Média.

Mesmo assim, Paulo VI insistiu e, numa longa homilia dedicada aos perigos do Demónio, avisou os católicos de que o Diabo não é um mito. “Devemos lutar contra o demónio. Quase ninguém pensa nele”, criticou. E acrescentou: “Já não se fala dele porque não é uma experiência visível. Crê-se que não existem as coisas que não se vêem.”

Os exorcismos de João Paulo II A postura de João Paulo II na batalha contra o inimigo foi bem mais pragmática e durou quase até ao fim da vida. Aos 80 anos e a sofrer de Parkinson, o beato terá exorcizado uma rapariga italiana de 19 anos, que viajou do Norte do país de propósito para resolver um problema de possessão.

A história, revelada num dos livros do exorcista de Roma Gabriele Amorth, é muito semelhante à que se conta sobre o exorcismo do Papa Francisco. A rapariga foi levada à Praça de São Pedro para assistir à audiência semanal de João Paulo II, depois de vários exorcistas terem desistido do caso.

João Paulo II não fez o ritual completo: abeirou-se dela, abraçou-a e rezou. Mas este não foi o seu primeiro exorcismo: a estreia terá ocorrido ainda na década de 1970, mas pouco se sabe sobre o caso. Já sobre a segunda experiência de João Paulo II há muitos detalhes que ficaram para posteridade. Um cardeal francês, Jacques Martin, contou tudo nas suas memórias. Wojtyla terá exorcizado uma mulher chamada Francesca. Durante horas, desfiou orações sem sucesso. Até que lhe disse: “Amanhã rezarei uma missa por ti”. O cardeal conta que Francesca voltou a si nesse momento. Um ano depois, já curada, foi recebida, com o marido numa audiência papal.

Bento XVI e a luta silenciosa Contrariamente aos seus antecessores, Bento XVI falou poucas vezes no Demónio. Mas em Agosto do ano passado, quando estava de férias em Castel Gandolfo e antes da oração do Angelus, Ratzinger recordou a traição de Judas. “Ele poderia ter ido embora, mas escolheu ficar com Jesus para se vingar dele.” A culpa, sublinhou o Papa emérito, foi da falsidade. “E a falsidade é a marca do diabo”, rematou.

Numa outra ocasião, na quaresma de 2008, Bento XVI afirmou: “Temos de encarar o mal e combater os seus efeitos mas sobretudo as suas causas e a sua causa primeira, que é Satanás.” Terão sido, porventura, as únicas duas vezes que Ratzinger tocou publicamente no assunto. O que não significa, sublinha um padre consultado pelo i, que Bento XVI não tenha travado as suas batalhas contra o Diabo. “Como profundo teólogo, abordou muitíssimas vezes as consequências da sua existência: o relativismo moral, o consumismo desenfreado ou o esquecimento de Deus.”

Jornal i: Rosa Ramos 23 Maio 2013

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pensamentos marianos

1 - “Invoca a Santíssima Virgem; não deixes de pedir-lhe que se mostre sempre tua Mãe, e que alcance, com a graça do seu Filho, luz de boa doutrina na inteligência, e amor e pureza no coração, a fim de que saibas ir para Deus e levar-Lhe muitas almas.” (São Josemaría Escrivá)

2 - “É impossível nos aproximarmos de Maria, sem que ela não nos leve até seu Filho. Essa é sua missão. Assim, a devoção mariana nunca é estéril; pelo contrário, seu efeito sempre será um encontro transformador daquele que reza com Jesus.” (Imitação de Maria, nº 118)

3 - “Se faltar alegria em nossa casa, em nossas vidas, chamemos por Maria.” (Imitação de Maria, nº 124)

4 - “Imitar Maria é acolher com amor o grande presente que a cada ano deseja nascer em nós.” (Imitação de Maria, nº 168)

5 - “O primeiro passo para imitarmos Maria é termos intimidade com a Palavra. É a paixão pela Sagrada Escritura que fazem que o Verbo de Deus se encarnem em nossa carne e assim nos tornamos fecundos pela Palavra.” (Imitação de Maria, nº 194)

6 - “Enche-te de segurança: nós temos por Mãe a Mãe de Deus, a Santíssima Virgem Maria, Rainha do Céu e do Mundo.” (São Josemaría Escrivá)

7 - “Recorre constantemente à Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da humanidade. E Ela atrairá, com suavidade de Mãe, o amor de Deus às almas das tuas relações, para que se decidam a ser testemunhas de Cristo.” (São Josemaría Escrivá)

8 - “A maior alegria que podemos dar a Maria Santíssima é a de levar Jesus Eucarístico no nosso peito.” (Santo Hilário)

9 - “Deus depositou a plenitude de todo o bem em Maria, para que nisso conhecêsse-mos que tudo o que temos de esperança, graça e salvação, dela deriva até nós.” (São Boaventura)

10 - “Sê de Maria e serás nosso.” (São Josemaría Escrivá)

11 - “As orações de Maria junto a Deus têm mais poder junto da Majestade divina que as preces e intercessão de todos os anjos e santos do Céu e da Terra.” (Santo Agostinho)

12 - Padre Pio costumava chamar a Virgem Santíssima de “Mamãe Celestial”, certa vez disse: “que se um milhão de crianças rezassem o Rosário, o mundo não seria o mesmo.”

13 - “O amor à nossa Mãe será sopro que atice em fogo vivo as brasas de virtude que estão ocultas sob o rescaldo da tua tibieza.” (São Josemaría Escrivá)

14 - “Eu vos convido a rezar com o coração e não por hábito.” (Nossa Senhora de Medjugorie)

15 - “Desejo convidá-los a começar a viver, de hoje em diante, uma vida nova. Queridos filhos, quero que compreendam que Deus, no Seu plano de salvação para a humanidade, escolheu cada um de vocês.” (Nossa Senhora de Medjugorie)

16 - “Tenho encontrado a esta Virgem soberana, sempre que me tenho encomendado a Ela.” (Santa Teresa de Jesus)

17 - “Pede a SS. Virgem que seja teu guia, que seja a estrela, o farol que brilhe no meio das trevas de tua vida.” (Santa Teresa dos Andes)

18 - “Bendito seja o nosso Deus que nos deu a sua Mãe por nossa Mãe.” (Beata Maria Maravilhas de Jesus)

19 - “Decidi-me firmemente a não desejar um coração melhor do que este que Maria quiser me dar, pois ela é a amável Mãe dos corações, a Mãe do Santo Amor, Mãe do Coração dos corações.” (São Francisco de Sales)

20 - "Mediante o Rosário, o povo cristão aprende com Maria a contemplar a beleza do rosto de Cristo, e a experimentar a profundidade do seu amor." (Beato João Paulo II)

21 - “Eu sou a vossa Mãe, meus filhos, e vim para vos ensinar a amar.” (Nossa Senhora de Medjugorie)

22 - “Quando vires chegar a tempestade, se te abrigares nesse Refúgio firme que é Maria, não haverá perigo algum de que venhas a soçobrar ou a afundar-te.” (São Josemaría Escrivá)

23 - “Senhora, Mãe de Deus e minha Mãe, nem por sombras quero que deixes de ser a Dona e a Imperatriz de toda a criação.” (São Josemaría Escrivá)

24 - “Para chegares à Santíssima Trindade, passe por Maria.” (São Josemaría Escrivá)

25 - “Dar-te-ei um conselho que não cansarei de repetir às almas: que ames com loucura a Mãe de Deus, que é Mãe nossa.” (São Josemaría Escrivá)

26 - “Deves tornar o seu amor pela Santíssima Virgem mais vivo, mais sobrenatural.” (São Josemaría Escrivá)

27 - “Não estás só. Nem tu nem eu podemos encontrar-nos sós. E menos ainda se vamos a Jesus por Maria, pois é uma Mãe que nunca nos abandonará.” (São Josemaría Escrivá)

28 - “Minha Mãe do Ceú: faz que eu volte ao fervor, à entrega, à abnegação; numa palavra, ao Amor.” (São Josemaría Escrivá)

29 - “Situa-te muito perto da tua Mãe, a Santíssima Virgem. Deves estar sempre unido a Deus: procura a união com Ele, junto da sua Mãe bendita.” (São Josemaría Escrivá)

30 - “Se procuras Maria, encontrarás “necessariamente” Jesus, e aprenderás, sempre com maior profundidade, o que há no Coração de Deus.” (São Josemaría Escrivá)

31 - “Mãe nossa, Esperança nossa! Como estamos seguros, juntos a ti, ainda que tudo cambaleie!” (São Josemaría Escrivá)

32 - “Maria é nossa grande inspiração no cumprimento dessa vontade de Deus; consagrar-se a ele, tornar-se sagrado nele, deve ser nossa meta de vida.” (Imitação de Maria)

33 - “Somos agraciados por Deus da mesma forma que foi Maria.” (Imitação de Maria)

34 - “Não desanimes. Pelo contrário, chama por tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono de criança. Ela trará o sossego à tua alma.” (São Josemaría Escrivá)

35 - “O desejo de Deus para nós é que sejamos, a exemplo de Maria, cheios de graça, da santíssima graça divina a tal ponto que confere ao Todo-Poderoso plenos poderes de agir com propriedade em nossa alma.” (Imitação de Maria)

36 - “Se de Maria e serás de Deus.” (São Josemaría Escrivá)

37 - “A Jesus sempre se vai e se volta por Maria.” (São Josemaría Escrivá)

38 - “Todos os pecados de tua vida parecem ter-se posto de pé. Não desanimes. Pelo contrário, por Tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono de criança Ela trará o sossego a tua alma.” (São Josemaría Escrivá)

39 - “Maria Santíssima, Mãe de Deus, passa despercebida, como mais uma entre as mulheres de seu povo. Aprende dela a viver com naturalidade.” (São Josemaría Escrivá)

40 - “Maria mestra de oração. Olha como pede à seu em Caná e como insiste, sem desanimar, com perseverança e como consegue. Aprende.” (São Josemaría Escrivá)

41 - “A Virgem Santa Maria, Mãe do amor formoso, aquietará o teu coração, quando te fizer sentir que é de carne, se recorres a Ela com confiança.” (São Josemaría Escrivá)

42 - “A Virgem Dolorosa... quando a contemplares, repare em seu coração. É uma Mãe com dois filhos frente a frente: Jesus e tu.” (São Josemaría Escrivá)

43 - “Que humildade, a de minha Mãe Santa Maria. Não a vereis entre as palmas de Jerusalém, nem a fora as primícias de Caná à hora dos grandes milagres. Mas não foge ao desprezo do Gólgota, ali está, junto a cruz de Jesus.” (São Josemaría Escrivá)

44 - “Admira a firmeza de Santa Maria: ao pé da cruz, com a maior dor humana. Não há dor como a Sua dor, cheia de fortaleza. E pede-lhe dessa firmeza para que saibas também estar junto da cruz.” (São Josemaría Escrivá)

45 - “Maria, mestra do sacrifício escondido e silencioso. Vede-a, quase sempre oculta, colaborando com o Filho: sabe e cala.” (São Josemaría Escrivá)

46 - “Vedes com que simplicidade! E o Verbo se fez carne. Assim agiram os santos: sem espetáculo. Se houve, foi apenas deles.” (São Josemaría Escrivá)

47 - “Antes sozinho, não podias... agora, recorreste à Senhora, e com ela, que fácil!” (São Josemaría Escrivá)

48 - “Se queres ser fiel, sê muito mariano.” (São Josemaría Escrivá)

49 - “Maria, mesmo muito jovem, demonstra sabedoria em acolher com fé a mensagem divina.” (Imitação de Maria)

50 - “O Senhor que fora rejeitado pela humanidade, encontrou abrigo em Maria.” (Imitação de Maria)

51 - “Cheia de graça, é a pessoa que permite Deus viver em si.” (Imitação de Maria)

52 - “Nada temas, não te sintas perturbada. Não terás do que envergonhar-te ...” (Is.54,4)

53 - “A perturbação não nos pode paralisar diante das responsabilidades, fomos criados para sermos adultos, maduros. Maria perturba-se, mas não fica na angústia, transforma esse sentimento em reflexão.” (Imitação de Maria)

54 - “A Jesus sempre se vai e se ‘volta’ por Maria.” (São Josemaría Escrivá)

55 - “Confia. Invoca Nossa Senhora e serás fiel.” (São Josemaría Escrivá)

56 - “Sem reflexão nossa oração corre risco de ser estéril. Maria nos ensina a refletir.” (Imitação de Maria)

57 - “Alma esposa, aceita e acolhe a proposta de Deus.” (Papa Bento XVI)

58 - “Nada é tão sublime que uma vida totalmente entregue a Deus.” (Papa Bento XVI)

59 - “Se em Deus nos encontramos, se aos olhos dele nosso viver tem valor eterno, então nos vem a pergunta: Por que temer? Por que se desesperar? Por que duvidar? Basta confiar, e foi justamente o que Maria fez.” (Imitação de Maria)

60 - “Não foi a morte que nos salvou, mas a vontade de quem morria.” (São Bernardo)

61 - “Obedecer é deixar-se amar por Deus. O demônio desafia as autoridades, por isso, devo obedecer e enxergar na autoridade a pessoa de Deus.” (Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém)

62 - “Preciso alegrar-me com aquele que encontrei (Cristo) e não prender-me ao que preciso renunciar.” (Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém)

63 - “É o amor o que mais pode nos assemelhar a Maria, imitar a mãe de Deus, é aprender a amar, pois ela vive e essência aquilo que seu Filho Jesus é por natureza: Amor.” (Imitação de Maria)

64 - “Imitar Maria é saber-se abrir ao Espírito para que ele nos faça criaturas novas.” (Imitação de Maria)

65 - “A felicidade de Maria não é a ausência de problemas. Em tudo fazer a vontade de Deus, isso faz que ela, mesmo na dor, pratique o serviço, e por isso viva em paz; por isso, seja feliz.” (Imitação de Maria)

66 - “O “sim “ de Maria é seu grande “amém”, é sua profissão de fé... eu creio, acato, faça-se, cumpra-se em mim o teu querer, Senhor.” (Imitação de Maria)

67 - “De Maria, aprendemos que a prudência é a chave da sabedoria.” (Imitação de Maria)

68 - “A presença de Maria, cheia de Deus, é capaz de transmitir aos outros o Espírito Santo que a fecundou no amor.” (Imitação de Maria) “Na hora do desespero, invoquemos Maria.” (Imitação de Maria)

Homilia na Missa de abertura do Sínodo dos Bispos (Basílica de São Pedro, 05.10.2014)


Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados!
O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça. Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses.

Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu. A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Discurso que lemos, ainda nestes dias, na Liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4).
Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. A nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Irmãos, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt 21, 43).

Deus colocou um anjo ao nosso lado para nos proteger:

Os anjos da guarda existem, não são uma doutrina fantasiosa, mas companheiros que Deus colocou ao nosso lado, no caminho de nossa vida: foi o que disse o Papa Francisco na homilia celebrada na manhã desta quinta-feira, 02, na Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja celebra a memória dos Santos Anjos da Guarda.
“As leituras do dia – afirmou o Papa Francisco – apresentam duas imagens: o anjo e o menino. Deus colocou um anjo ao nosso lado para nos proteger: “Se alguém aqui acredita que pode caminhar sozinho, se engana muito”, cai “no erro da soberbia, acredita ser grande e auto-suficiente”.
Todos nós, segundo a tradição da Igreja, temos um anjo conosco, que nos guarda, nos faz ouvir as coisas. Quantas vezes ouvimos ‘Deveria fazer isso, assim não, tenho que ficar atento...’ Muitas vezes! É a voz do nosso companheiro de viagem. Temos que nos assegurar que ele nos levará até o fim de nossa vida com seus conselhos, temos que dar ouvidos à sua voz, não nos rebelar, pois a rebelião, o desejo de ser independente, todos nós temos isso: é a soberba”.
“Ninguém caminha sozinho e nenhum de nós pode pensar que está só” – prosseguiu o Papa – porque temos sempre “este companheiro”:
E quando nós não queremos ouvir seus conselhos, dizemos ‘vai embora’! Expulsar o companheiro de caminho é perigoso, porque nenhum homem ou mulher pode aconselhar a si mesmo. O Espírito Santo me aconselha, o anjo me aconselha. O Pai disse “Eu mando um anjo diante de ti para guardar-te, para te acompanhar no caminho, para que não erres”.
Papa Francisco concluiu assim a homilia:
Hoje eu pergunto: como está minha relação com o meu anjo da guarda? Eu o escuto? Digo-lhe ‘bom dia’, lhe peço para velar meu sono, falo com ele? Peço conselhos? O anjo está ao meu lado!”.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Programa dos 500 anos da Diocese do Funchal


Caminhar com Maria

2014-09-08

Papa: Como Maria, deixemos Deus caminhar conosco!


Na missa nesta manhã, na capela da Casa de Santa Marta, onde mora, o Santo Padre celebrou a Natividade de Maria, de acordo com o Calendário Litúrgico.

Olhando a história de Maria, perguntamo-nos se deixamos que Deus caminhe conosco, afirmou o Papa Francisco O Pontífice destacou que Deus está “nas coisas grandes”, mas também nas pequenas e tem a “paciência” de caminhar conosco, mesmo que sejamos pecadores.

O Papa Francisco fez sua meditação sobre a Criação e o caminho que Deus faz conosco dentro da História. Quando lemos o livro do Gênesis, observou, “existe o perigo de pensar que Deus fosse um mágico” que fazia as coisas” e “ as deixava andar com leis internas que Ele colocara em todas, para que se desenvolvessem até chegar à plenitude”. O Senhor, acrescentou o Papa, “deu autonomia às coisas do Universo, mas não independência”:

“Porque Deus não é um mágico, é o Criador! Mas quando no sexto dia, daquele relato, criou o Homem, deu uma outra autonomia, um pouco diferente, mas não independência: uma autonomia - a liberdade! E disse ao Homem que andasse para frente na História, e o tornou responsável pela criação e também disse que a dominasse, que levasse à plenitude dos tempos. E qual era a Plenitude dos tempos? Aquela que Ele tinha no coração: a chegada de seu Filho. Porque Deus – ouvimos Paulo – nos predestinou, todos, para sermos conforme a imagem do Filho”.

E isto, afirmou Francisco, “é o caminho da Humanidade, é o caminho do Homem. Deus queria que fossemos como seu Filho e que seu Filho fosse como nós”. O Papa se referiu assim à passagem do Evangelho de hoje que narra a genealogia de Jesus. “Neste elenco – destacou – temos santos e também pecadores, mas a história caminha porque Deus quis que os homens fossem livres”. E se é verdade que quando o homem “usou mal sua liberdade, Deus o expulsou do Paraíso” mas Ele “ fez uma promessa e o homem deixou o Paraíso com esperança. Pecador, mas com esperança!” Ele “seu caminho – reforçou – não o faz sozinho: Deus caminha com ele. Porque Deus fez uma opção: fez opção para sempre, não para um momento. É o Deus do tempo, é o Deus da História, é o Deus que caminha com seus filhos”. E isso até “à plenitude dos tempos” quando seu Filho se faz homem. Deus, afirmou ainda, “caminha com os justos e com os pecadores”. Caminha “com todos, para chegar ao encontro, ao encontro definitivo do homem com Ele”.

O Evangelho, disse ainda, termina esta história secular “com uma coisa pequenina, em um pequeno país, com José e Maria. “O Deus da grande História – sublinhou – e também da pequena História, porque deseja caminhar com todos”. Francisco citou Santo Tomás, onde afirma: “Não se assustar com coisas grandes, mas também levar em conta as pequenas, isto é divino”. “Deus é assim – retomou o Papa – está nas coisas grandes”, mas também nas pequenas:

“E o Senhor que caminha é Deus e é também o Senhor da paciência. A paciência de Deus! A paciência que teve com todas essas gerações. Com todas essas pessoas que viveram sua história de graça e de pecado, Deus é paciente! Deus caminha conosco, porque Ele quer que todos cheguemos a se conformes à imagem de Seu Filho. E daquele momento que nos deu liberdade na criação – não a independência – até hoje continua a caminhar”.

E assim, pois, “chegamos a Maria”. Hoje, disse o Papa, “estamos na ante-câmara desta história: o nascimento de Nossa Senhora”. E “pedimos ao Senhor, na oração do dia, unidade para caminhar juntos e paz no coração. É a graça de hoje”:

“Hoje podemos olhar Nossa Senhora, pequenina, santa, sem pecado, pura, predestinada a se tornar Mãe de Deus e também olhar esta história que está atrás, um pouco longa, secular e nos perguntar: ‘Como caminho eu em minha história? Deixo que Deus caminhe comigo? Deixo que Ele caminhe comigo ou quero caminhar sozinho? Deixo que Ele me afague, me ajude, me perdoe, me leve adiante para chegar ao encontro com Jesus Cristo?” Isto será o fim de nosso caminho: encontrarmo-nos com o Senhor. Esta pergunta nos fará bem hoje. ‘Deixo que Deus tenha paciência comigo? ’ E assim, olhando essa história grande e também este pequeno país, possamos louvar o Senhor e pedir humildemente que nos dê a paz, aquela paz do coração que somente Ele nos pode dar, que somente nos dá quando nós deixamos Ele caminhar conosco”.

Papa Francisco


Jesus aproxima-se.... reza... escolhe doze... ama a multidão...


Jesus não é um professor que fala de seu púlpito, mas está no meio do povo e se deixa tocar para curar. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa presidida esta manhã na Casa Santa Marta.

Comentando o Evangelho do dia, o Pontífice refletiu sobre três momentos da vida de Jesus. O primeiro é a oração. Jesus passa “toda a noite rezando a Deus”. Parece um pouco estranho que Aquele que veio para nos salvar reze ao Pai”, disse o Papa. “E o faça com frequência. Mas Jesus é o grande intercessor”:

“Ele está diante do Pai neste momento, rezando por nós. E isto deve nos encorajar! Porque nos momentos difíceis, de necessidade e de tantas coisas, devemos pensar: ‘Mas Tu estás rezando por mim. Reza por mim junto ao Pai!’. É a sua missão hoje: rezar por nós, pela sua Igreja. Nós nos esquecemos disso com frequência, que Jesus reza por nós. Esta é a nossa força. Dizer ao Pai: ‘Mas se Tu, Pai, não nos olha, olha teu Filho que reza por nós’. Jesus reza desde o primeiro momento: rezou quando estava na terra e continua a rezar agora por cada um de nós, por toda a Igreja”.

Depois da oração, Jesus escolhe os 12 Apóstolos. O Senhor diz claramente: “Não foram vocês que me escolheram. Eu escolhi vocês!”. “Este segundo momento – afirma o Papa – nos dá coragem: ‘Eu fui escolhido, fui escolhida pelo Senhor! No dia do Batismo, Ele me escolheu’. E Paulo, pensando nisso, dizia: ‘Ele escolheu a mim, desde o seio de minha mãe’”. Nós cristãos, portanto, fomos escolhidos:

“Essas são coisas de amor! O amor não olha se alguém tem o rosto belo ou feio: ama! E Jesus faz o mesmo: ama e escolhe com amor. E escolhe todos! Ele, na lista, não tem ninguém importante – entre aspas – segundo os critérios do mundo: são pessoas comuns. Mas uma coisa – sim – destaca-se em todos: são pecadores. Jesus escolheu os pecadores. Escolhe os pecadores. E esta é a acusação que os doutores da lei e os escribas fazem: ‘Ele come com os pecadores, fala com as prostitutas.’. Jesus chama todos! Lembram aquela parábola das núpcias do filho: quando os convidados não aparecem, o que faz o dono da casa? Manda os seus servos: ‘Ide e trazei todos à casa! Bons e maus’, diz o Evangelho. Jesus escolheu todos!”.

Jesus – continuou o Papa - também escolheu Judas Iscariotes, “que se tornou o traidor ... O maior pecador para Ele. Mas foi escolhido por Jesus”. Depois, há o terceiro momento: “Jesus próximo do povo”. Em muitos vão até Ele “para ouvi-lo e serem curados de suas doenças. Toda a multidão procurava tocá-lo”, porque “d’Ele saia uma força que curava todos”. Jesus está no meio do seu povo;

“Não é um professor, um mestre, um místico que se afasta do povo e fala da cátedra. Não! Está no meio do povo; se deixa tocar; deixa que as pessoas perguntem. Assim é Jesus: perto do povo. E essa proximidade não é uma coisa nova para Ele: Ele a sublinha em seu modo de agir, e é algo que vem desde a primeira escolha de Deus para o seu povo. Deus diz ao seu povo: “Pensem, qual povo tem um Deus tão próximo como Eu estou próximo de vocês?”. A proximidade de Deus ao seu povo é a proximidade de Jesus às pessoas”.

“Assim é o nosso Mestre, assim é o nosso Senhor – concluiu o Papa -; alguém que reza, alguém que escolhe as pessoas e alguém que não tem vergonha de estar próximo do povo. E isso nos dá confiança n’Ele. Confiamos n’Ele porque reza, porque nos escolheu e porque está próximo de nós”. (SP-BF)

Papa Francisco

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Pequenos gestos que fazem a diferença…

Dar tempos aos filhos

Produção em massa de alimentos

Produção em massa de alimentos

Produção em massa de alimentos

Produção em massa de alimentos

Cuidado ao conduzir

Reagir ou não?

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Paixão, Amor e Compromisso



Desde que o anterior governo equiparou as uniões de facto e os matrimónios estáveis e publicamente celebrados, decresceram (de um modo assustador) as famílias constituídas seja (no caso dos cristãos) diante de Deus pelo vínculo do sacramento do matrimónio, seja pelo simples vínculo público perante um representante do Estado. É óbvio que, para nós os crentes, se trata de realidades diferentes; mas aquilo que aqui nos importa é o compromisso que uns e outros realizam, publicamente, diante da comunidade.

“O amor não precisa de papéis” – dizem os jovens que vivem em uniões de facto, querendo, na verdade, dizer que “a paixão não precisa de papéis”. E, com efeito, “a paixão não precisa de papéis”.

Mas a família não é simplesmente a realidade de uma paixão que vem e logo desaparece: a família é a vontade de um homem e de uma mulher, que assumem, perante toda a sociedade, que o amor que os une (fiel e eterno) os ultrapassa a si mesmos e às eventuais paixões que tenham sido o ponto de partida do seu conhecimento. E que ultrapassa mesmo as dificuldades e sofrimentos que possam advir, para se tornar na realidade básica de qualquer comunidade humana, florescendo em filhos, em amor vivido e irradiado para os amigos e para todos os que estão à sua volta. A paixão inicial, com que tudo eventualmente começou, foi mais longe e abriu-se a uma realidade maior: o amor; e este deu lugar e passou a ser a alma de uma realidade estável e perene, com que todos (filhos, amigos e toda a sociedade em geral) podem contar.

É por isso que é importante que todos disso tenham conhecimento e que tal instituição seja oficializada diante de todos: amigos, comunidade cristã e comunidade humana. É por isso que também não pode ser indiferente ao Estado, qualquer que seja a sua organização, a saúde da instituição familiar. E, assim, qualquer que seja o governo, não pode ignorar a família ou tratá-la como realidade secundária. Afinal é a própria sobrevivência de uma nação que se encontra em risco.

A paixão pode não precisar de papéis. E, certamente, não precisa de ser ajudada: basta-se a si mesma. Mas uma família, realidade que, por sua natureza, se torna pública e com a qual toda a sociedade conta, precisa de ser reconhecida e apoiada.

Dom Nuno Brás, in Voz da Verdade


domingo, 1 de junho de 2014

Paz com a paz se paga

Olhem sempre para frente. Trabalhem e lutem para conseguir aquilo que vocês querem. Mas estejam certos de uma coisa, que não não se vence a violência com a violência. A violência se vence com a paz! Com a paz, com o trabalho, com a dignidade de fazer a pátria seguir adiante.

Papa  Francisco
28-05-2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Mês de Maio



Este mês de Maria convida-nos a multiplicar diariamente os actos de devoção e imitação da Mãe de Deus. Rezai o terço todos os dias! Deixai a Virgem Mãe possuir o vosso coração, confiando-lhe tudo quanto sois e tendes! E Deus será tudo em todos... Assim Deus vos abençoe, a vós e aos vossos entes queridos!

Papa Francisco no final da
 Audiência Geral 
no dia 14 de Maio de 2014.

sábado, 10 de maio de 2014

Igreja Santa e Pecadora.... Santos e pecadores modelos de santidade

Os santos não são heróis, mas são pecadores que seguem Jesus no caminho da humildade e da cruz: na homilia desta sexta-feira, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco comentou a primeira leitura, que narra a conversão de São Paulo.


O Pontífice explicou o que se entende quando dizemos que a “Igreja é santa”:


Mas como pode ser santa se todos nós estamos dentro? Somos todos pecadores, aqui. E a Igreja é santa. É a esposa de Jesus Cristo e Ele a ama, Ele a santifica, a santifica todos os dias com o seu sacrifício eucarístico. E nós somos pecadores, mas numa Igreja santa. E também nós nos santificamos com esta pertença à Igreja: somos filhos da Igreja e a Mãe Igreja nos santifica, com o seu amor, com os Sacramentos do seu Esposo.


Nas suas cartas – recordou o Papa –, São Paulo fala aos santos, a nós: “pecadores, mas filhos da Igreja santa, santificada pelo Corpo e o Sangue de Jesus”:


Nesta Igreja santa, o Senhor escolhe algumas pessoas para que a santidade fique mais evidente, para mostrar que Ele é quem santifica, que ninguém santifica si mesmo, que não existe um curso para se tornar santo, que ser santo não é ser faquir ou algo desse estilo… Não! A santidade é um dom de Jesus à sua Igreja, e para mostrar isso Ele escolhe pessoas em que o seu trabalho para santificar fica evidente.

No Evangelho – observou ainda Francisco –, existem muitos exemplo de santos: há Madalena, Mateus, Zaqueu e muitos outros que nos mostram qual é a primeira regra da santidade: “é necessário que Cristo cresça e nós nos rebaixemos”.


Assim, Cristo escolheu Saulo, que era um perseguidor da Igreja. E de tão grande que era, se tornou pequeno, obedeceu. Mas Paulo não se tornou um herói, explicou o Papa. Ele, que pregou o Evangelho em todo o mundo, “terminou a sua vida com um pequeno grupo de amigos, aqui em Roma, vítima dos seus discípulos”. Do grande homem que era, morreu decapitado. “Rebaixou-se, rebaixou-se, rebaixou-se….”


A diferença entre os heróis e os santos – explicou por fim Francisco – “é o testemunho, a imitação de Jesus Cristo. Percorrer o caminho de Cristo, o caminho da cruz. Penso, afirmou ainda, nos últimos dias de São João Paulo II...”:


Não podia falar, o grande atleta de Deus, o grande guerreiro de Deus acaba assim: aniquilado pela doença, humilhado como Jesus. Este é o percurso da santidade dos grandes. Também é o percurso da nossa santidade. Se nós não nos deixarmos converter o coração por este caminho de Jesus – carregar a cruz todos os dias, a cruz ordinária, a cruz simples – e deixar que Jesus cresça; se não percorrermos este caminho, não seremos santos. Mas se o percorrermos, todos nós testemunharemos Jesus Cristo, que nos ama tanto. E daremos testemunho que, não obstante sejamos pecadores, a Igreja é santa. É a esposa de Jesus.



O poder da Cruz

Dos Sermões de Santo Efrém, diácono (Sec. IV)

Nosso Senhor foi calcado pela morte, mas Ele, por sua vez, esmagou a morte como quem pisa aos pés o pó do caminho. [...] E porque a morte não O podia devorar se Ele não tivesse corpo, nem o inferno O podia tragar se não tivesse carne, desceu ao seio de uma Virgem para tomar um corpo
que O conduzisse à região dos mortos. Mas, com esse corpo que assumira, penetrou na região dos mortos, para destruir todas as suas riquezas e arruinar os seus tesouros. [...]

O mesmo admirável Filho do carpinteiro, que conduziu a sua cruz até aos abismos da morte, que tudo devoravam, levou também o género humano para a morada da vida. E uma vez que o género humano, por causa de uma árvore, se tinha precipitado no reino das sombras, sobre outra árvore passou para o reino da vida. [...] 

Glória a Vós, que lançastes a cruz, como uma ponte sobre a morte, para que através dela passem as almas da região da morte para a vida! Glória a Vós, que assumistes um corpo de homem mortal, para o transformardes num manancial de vida em favor de todos os mortais!... Aqueles que Vos mataram, procederam para com a vossa vida como os agricultores: lançaram-na à terra como um grão de trigo; mas ela ressuscitou e fez ressurgir consigo a multidão dos homens.

Vinde, ofereçamos o sacrifício grande e universal do nosso amor e entoemos, com grande alegria, cânticos e orações Àquele que Se ofereceu a Deus no sacrifício da cruz.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Prova da Existência de Deus

    
Vimos já como Descartes, pela aplicação da dúvida metódica, assumiu a existência do cogito, isto é, da sua existência como ser pensante. Contudo, levantava-se a questão de existência do mundo que o rodeava. A negação do valor dos sentidos como meio de acesso ao conhecimento verdadeiro colocava-o, de facto, perante a situação de ter que duvidar da existência da árvore que estava naquele momento a ver.
    Descartes aceitava que o mundo tivesse sido criado por Deus, aceitava que, se Deus existisse, ele seria garantia e suporte de todas as outras verdades. Mas, como saber se Deus existe ou não? Como provar a sua existência se apenas podia ter a certeza da existência do cogito?
     Nas suas obras, Descartes apresentou três provas da existência de Deus.


1ª Prova a priori pela simples consideração da ideia de ser perfeito


    “Dado que, no nosso conceito de Deus, está contida a existência, é correctamente que se conclui que Deus existe.
    Considerando, portanto, entre as diversas ideias que uma é a do ente sumamente inteligente, sumamente potente e sumamente perfeito, a qual é, de longe, a principal de todas, reconhecemos nela a existência, não apenas como possível e contingente, como acontece nas ideias de todas as outras coisas que percepcionamos distintamente, mas como totalmente necessária e eterna. E, da mesma forma que, por exemplo, percebemos que na ideia de triângulo está necessariamente contido que os seus três ângulos iguais são iguais a dois ângulos rectos, assim, pela simples percepção de que a existência necessária e eterna está contida na ideia do ser sumamente perfeito, devemos concluir sem ambiguidade que o ente sumamente perfeito existe.”
Descartes, Princípios da Filosofia, I Parte, p. 61-62.


    A prova é magistralmente simples. Ela consiste em mostrar que, porque existe em nós a simples ideia de um ser perfeito e infinito, daí resulta que esse ser necessariamente tem que existir.


2ª Prova a posteriori pela causalidade das ideias


    Descartes conclui que Deus existe pelo facto de a sua ideia existir em nós. Uma das passagens onde ele exprime melhor esta ideia é:
    “Assim, dado que temos em nós a ideia de Deus ou do ser supremo, com razão podemos examinar a causa por que a temos; e encontraremos nela tanta imensidade que por isso nos certificamos absolutamente de que ela só pode ter sido posta em nós por um ser em que exista efectivamente a plenitude de todas as perfeições, ou seja, por um Deus realmente existente. Com efeito, pela luz natural é evidente não só que do nada nada se faz, mas também que não se produz o que é mais perfeito pelo que é menos perfeito, como causa eficiente e total; e, ainda, que não pode haver em nós a ideia ou imagem de alguma coisa da qual não exista algures, seja em nós, seja fora de nós, algum arquétipo que contenha a coisa e todas as suas perfeições. E porque de modo nenhum encontramos em nós aquelas supremas perfeições cuja ideia possuímos, disso concluímos correctamente que elas existem, ou certamente existiram alguma vez, em algum ser diferente de nós, a saber, em Deus; do que se segue com total evidência que elas ainda existem.”

Descartes, Princípios da Filosofia, I Parte, p. 64.

    A prova consiste agora em mostrar que, porque possuímos  a ideia de Deus como ser perfeitíssimo, somos levados a concluir que esse ser efectivamente existe como causa da nossa ideia da sua perfeição. De facto, como poderíamos nós ter a ideia de perfeição, se somos seres imperfeitos? Como poderia o menos perfeito ser causa do mais perfeito?
    Deste modo, conclui,  já que nenhum homem possui tais perfeições, deve existir algum ser perfeito que é a causa dessa nossa ideia de perfeição. Esse ser é Deus.



3ª Prova a posteriori baseada na contingência do espírito



    “Se tivesse poder para me conservar a mim mesmo, tanto mais poder teria para me dar as perfeições que me faltam; pois elas são apenas atributos da substância, e eu sou substância. Mas não tenho poder para dar a mim mesmo estas perfeições; se o tivesse, já as possuiria. Por conseguinte, não tenho poder para me conservar a mim mesmo.
    Assim, não posso existir, a não ser que seja conservado enquanto existo, seja por mim próprio, se tivesse poder para tal, seja por outro que o possui. Ora, eu existo, e contudo não possuo poder para me conservar a mim próprio, como já foi provado. Logo, sou conservado por outro.
    Além disso, aquele pelo qual sou conservado possui formal e eminentemente tudo aquilo que em mim existe. Mas em mim existe a percepção de muitas perfeições que me faltam, ao mesmo tempo que tenho a percepção da ideia de Deus. Logo, também nele, que me conserva, existe percepção das mesmas perfeições.
    Assim, ele próprio não pode ter percepção de algumas perfeições que lhe faltem, ou que não possua formal ou eminentemente. Como, porém, tem o poder para me conservar, como foi dito, muito mais poder terá para as dar a si mesmo, se lhe faltassem. Tem pois a percepção de todas aquelas que me faltam e que concebo poderem só existir em Deus, como foi provado. Portanto, possui-as formal e eminentemente, e assim é Deus.”
Descartes, Oeuvres, VII, pp. 166-169.

    Descartes demonstra agora a existência de Deus a partir do facto de que não nos podemos conservar a nós próprios. Se não podemos garantir a nossa existência, mas apesar disso existimos, é porque alguém nos pode garantir essa existência.

CRUCIFIXO

«Minha mãe, quem é aquele
Pregado naquela cruz?
- Aquele, filho, é Jesus...
É a santa imagem dele!
«E quem é Jesus? – É Deus!
«E quem é Deus? – Quem nos cria,
Quem nos manda a luz do dia
E fez a terra e os céus;
E veio ensinar à gente
Que todos somos irmãos,
E devemos dar as mãos
Uns aos outros irmãmente:
Todo amor, todo bondade!
«E morreu? – Para mostrar
Que a gente pela Verdade
Se deve deixar matar.

João de Deus (1830-1896)


Multiplicação dos pães = milagre da partilha

         A multiplicação dos pães levou a multidão a considerar Jesus como o verdadeiro profeta, aquele que todos esperavam, desde longa data. O fato de ter alimentado uma imensa multidão, contando apenas com cinco pães de cevada e dois peixes, revelou-se como sinal inequívoco da messianidade de Jesus. Daí o desejo do povo de fazê-lo rei, na esperança de que todos os seus problemas fossem resolvidos da mesma forma eficiente e rápida, que acabavam de presenciar. Foi grande a expectativa criada em torno dele.

            Todavia, Jesus não se deixou levar por tal raciocínio demasiado pragmático. O povo não havia entendido o sentido do milagre, uma vez que o consideravam apenas sob o aspecto material de superação da fome pela abundância de pão. O objetivo visado por Jesus era bem outro: ensinar a todos que a partilha fraterna é um sinal irrefutável da presença do Reino, acontecendo na história humana. Por outras palavras: a partilha é um imperativo na vida de quem aderiu ao Reino, fazendo dele o centro de sua vida. Ou seja, o milagre dependeu da postura interna de cada pessoa, e não somente da iniciativa de Jesus.

        O Mestre é o verdadeiro profeta não porque multiplicou os pães de forma prodigiosa, à revelia das pessoas, e sim, porque abriu o coração humano para o amor, muito bem expresso na partilha dos bens.

quarta-feira, 5 de março de 2014

DIVORCIADOS RECASADOS INTEGRADOS NA IGREJA?

Esta iniciativa corresponde ao desafio lançado pelo Papa Francisco, no passado dia 7 de fevereiro, no seu discurso aos Bispos Polacos: «Antes de tudo, no âmbito da pastoral ordinária, gostaria de focalizar a vossa atenção à família, «célula fundamental da sociedade», «espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos outros e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66).


Hoje, ao contrário, o matrimónio é frequentemente considerado uma forma de gratificação afectiva que pode constituir-se de qualquer modo e modificar-se segundo a sensibilidade de cada um (cf. ibid.). Infelizmente, esta visão influi também sobre a mentalidade dos cristãos, facilitando o recurso ao divórcio ou à separação de facto. Os pastores são chamados a interrogar-se sobre o modo de assistir quantos vivem tal situação, a fim de que não se sintam excluídos da misericórdia de Deus, do amor fraterno de outros cristãos e da solicitude da Igreja pela sua salvação; de os ajudar a não abandonar a fé; e de fazer crescer os seus filhos na plenitude da experiência cristã.»

sábado, 1 de março de 2014

Não temos mais filhos porque gastamos tudo no primeiro - Henrique Raposo

Acho muito bem que o governo tente implementar políticas de natalidade, horários flexíveis para os pais, menos impostos, menos segurança social, menos prestação de creche, etc. Mas nada pode obrigar uma sociedade livre a ter filhos quando essa sociedade escolhe não ter filhos. E a nossa baixa natalidade resulta de uma escolha, de uma cultura, a cultura do filho único que se entranhou em todos nós há muito tempo. A curva descendente da natalidade é muitíssimo anterior ao início da crise. O problema está na nossa cabeça e não no nosso bolso. Não por acaso, já repararam na economia que existe em redor de bebés, crianças e adolescentes? Ele é brinquedos empilhados numa divisão só para brinquedos, ele é roupas de marcas absurdamente caras, ele é roupas de Carnaval, roupas de Natal (para quando roupas da Páscoa?), ele é actividades extracurriculares, ele é festas temáticas, ele é festas com palhaços, ele é playstation, ipad, computador portátil e telemóvel, ele é viagens de finalistas para quem acaba quarta classe, ciclo e secundário, ele é gastar dinheiro nos três milhões de festivais de verão, ele é o carro aos 18, com turbo, papá, por favor, com turbo e bufadeira. Falta dinheiro?

Falta dinheiro para o segundo filho? Não gozem. Quem gasta isto com o primeiro filho tem mais do que suficiente para o segundo. O problema é que nós queremos programar o miúdo logo à nascença, queremos transformar o primeiro e único filho num robô, num autómato telecomandado pelo business plan, ora essa, ele tem de ter aulas de viola, natação, explicações de matemática e inglês, e quiçá participar num workshop de filosofia kierkegaardiana ou num boot camp de gestão para empreendedores de três anos e meio, ora essa, há que preparar as skills de networking desde tenra idade, que é como quem diz since tender age. Sim, andamos a aprisionar o miúdo, o único miúdo, em planos que matam antes da concepção qualquer irmão ou irmã. Andamos a poupar dinheiro para os sucessivos luxos do primeiro em vez de gastarmos esse dinheiro no segundo e terceiro. Com dois ou três filhos já não dá para comprar roupinhas nas lojinhas catitas de Campo de Ourique? Azar, compra-se na Zippy ou nos ciganos, que também têm produtos de qualidade, não é verdade, ó dona?

A obsessão em cobrir o primeiro filho com mirra e ouro está a matar-nos, literal e metaforicamente falando. Se não anularmos esta cultura de filho único, se não arrebitarmos a curva da natalidade, o nosso futuro será negro e a falta de dinheiro para reformas até nem será o problema principal. Já pensaram no que é a banda sonora de uma cidade sem criançada? Já pensaram na atmosfera de uma sociedade onde só se ouve o arrastar das muletas? Para evitarmos este apocalipse em câmara lenta, devíamos começar por perguntar o seguinte ao petiz mimado lá de casa: olha, queres a nova playstation ou queres um irmão? Queres viajar todos os anos ou queres uma mana? Queres um ipad, um portátil e roupa de marca ou queres irmãos para brincar? Se ele responder com a segunda premissa, está tudo bem. Se ele responder com a primeira, já falhámos como pais. Mas não é nada que um berro não resolva.

PS: para a Maria, mãe de três.


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Ofício das Trevas

O Ofício de Trevas, com já quinze séculos de existência, encerra as páginas mais veneráveis do antigo breviário. Ao recitá-lo sentimo-nos invadidos dum respeito santo. A Igreja procura condensar nele os sentimentos que animaram o Salvador nos mistérios da sua Paixão.

Durante o Ofício de Trevas destes três últimos dias, coloca-se no meio do coro um candelabro triangular com treze velas acesas que um acólito vai apagando sucessivamente a cada salmo que o coro termina, excepção da que está no vértice. Este antigo rito designa por alegoria que Jesus Cristo é a verdadeira luz do mundo. As velas acesas e que se vão extinguindo gradualmente representam a glória do Salvador que se vai apagando também com o vento implacável da ignomínia e dos trabalhos da Paixão. Ao cabo duma agonia de três horas, Jesus morre e o mundo fica em trevas. Ao canto da última antífona, só a vela do vértice se conserva acesa. Por fim, esta também desaparece, deixando a cruz do Senhor cercada pela noite até o momento em que o clero, batendo nos cadeirais do coro para significar com este ruído que o Senhor Ressuscitou, o acólito reentra com a vela na Igreja e coloca-a no seu primeiro lugar.


O Ofício das trevas mostra, de forma bastante clara, a figura do servo Sofredor e, junto dEle, nos colocamos rezando e meditando sobre os Sofrimentos de Sua Paixão e Morte na Cruz.



Testemunho:

No passado a procissão de quarta-feira santa (antes da Última Ceia) era seguida pelo primeiro dia do Ofício das Trevas, uma celebração muito complexa e dramática que foi abandonada há algumas décadas.

A cerimónia vinha de uma tradição cristã antiga em que quinze velas eram lentamente apagadas uma por uma até que apenas uma restava acesa. Isto representava a vida de Cristo chegando ao fim. 

A última vela era escondida e na escuridão total da igreja o povo começava a bater os pés para fazer o máximo de barulho possível, representando o som da ressurreição. Neste momento, acendiam-se as luzes.